Preso é esquartejado em penitenciária de Canoas/RS

Publicado por | setembro 12, 2020 | Facções Brasileiras, Homicídio

Um crime bárbaro foi registrado na terça-feira (8) na Penitenciária Estadual de Canoas III (Pecan III). Um detento foi morto a golpes de faca artesanal e, conforme perícia, esquartejado. É a quarta morte registrada nesse complexo de penitenciárias da Região Metropolitana desde a inauguração, em março de 2016. Todos os casos foram apontados como homicídio, embora de início, em alguns episódios, houvesse suspeita de suicídio.

O preso assassinado é Lucas Iago Rodrigues Fogaça, 25 anos, que cumpria pena por roubos e, aparentemente, não tinha ligação com facções criminosas. Ele dividia a cela com outros sete detentos. O crime ocorreu na madrugada, mas só foi percebido por servidores da penitenciária ao amanhecer. Conforme relatos repassados à Polícia Civil, partes do corpo da vítima estavam dentro de um saco de lixo, amarrado na grade da janela da cela.

A equipe do delegado Thiago Carrijo, da Polícia Civil, interrogou todos os ocupantes da cela e em menos de 24 horas descobriu o autor do crime, que confessou o assassinato. Ele é um rapaz de 25 anos, condenado por latrocínio e que também responde por oito homicídios.

— A equipe não dormiu até conseguir confrontar o autor com provas. Ele confessou. Disse que matou por uma desavença com a vítima — resume o delegado.

A arma do crime é uma faca artesanal.

GZH foi procurada por agentes penitenciários que se queixam de descontrole interno na Pecan, que deveria ser uma prisão modelo, sem influência de facções criminosas. Eles relatam que não só as facções se instalaram naquela prisão como os servidores são ameaçados para não fazerem revistas.

A última morte de um preso no complexo penitenciário de Canoas havia ocorrido em agosto, por sufocamento. A Polícia Civil considera o caso homicídio. O nome do autor confesso do crime não foi informado, em decorrência da Lei de Abuso. Os policiais investigam se há guerra de facções por trás das mortes.

— Não adianta termos uma cadeia classificada como modelo se não tivermos o número ideal de servidores penitenciários. Temos uma defasagem assustadora no sistema prisional no que tange ao efetivo funcional — salienta o presidente do sindicato dos agentes penitenciários (Amapergs), Saulo Felipe Basso dos Santos.

A Secretaria de Administração Penitenciária (Seapen) lamentou o homicídio e diz que o assunto está a cargo da Polícia Civil, quanto à autoria. Ela informa também que a Corregedoria da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) vai checar possível falha de parte de servidores. E assegura que não recebeu queixa de agentes com relação a ameaças. Em nota enviada no fim da tarde de quarta-feira (9), Seapen e Susepe afirmaram que já identificaram os suspeitos e que eles não tem vinculação com organização criminosa, “premissa básica para a pessoa presa ingressar no complexo de Canoas”.

Sobre a queixa de agentes penitenciários sobre descontrole interno, a nota diz que lamenta as “denúncias anônimas e desacompanhadas de qualquer indício  confirmatório tenham  vindo a público, supostamente por parte de servidores,  e não tenham sido encaminhadas  à  Susepe e à Seapen”.

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